Magnata chinês é vinculado a pilha misteriosa de alumínio no México
Por Marcelo Villela, setembro 26th, 2016, 0:39 - LINK PERMANENTE
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Dois anos atrás, um executivo do setor de alumínio na Califórnia contratou um piloto para sobrevoar a cidade mexicana de San José Iturbide e tirar fotos de uma fábrica remota no deserto. Ele fez uma descoberta surpreendente. Quase um milhão de toneladas de alumínio guardadas em uma fortaleza cercada por arame farpado. O estoque, avaliado em uns US$ 2 bilhões e equivalente a cerca de 6% de todo o alumínio estocado no mundo — suficiente para produzir 77 bilhões de latas de cerveja —, rapidamente virou uma obsessão para a indústria de alumínio americana.
Agora, a descoberta virou uma nova fonte de tensão nas relações comerciais entre Estados Unidos e China. Executivos americanos dizem que o alumínio misterioso era parte de um esquema de um dos homens mais ricos da China para burlar as regras do comércio global.
Jeff Henderson, diretor de operações do Conselho de Extrusores de Alumínio dos EUA, um grupo do setor, diz estar convencido de que a China Zhongwang Holdings Ltd., gigante chinesa de alumínio controlada pelo bilionário Liu Zhongtian, tentou evadir tarifas americanas ao enviar alumínio aos EUA através do México para disfarçar suas origens.
Liu, um membro do Partido Comunista chinês, nega a acusação. “Isso não tem nada a ver comigo”, disse ele durante uma entrevista dada ao The Wall Street Journal em junho numa fábrica de sua companhia em Liaoning, na China. Ele disse que nem saberia estabelecer um negócio no México, brincando que, “nesse tipo de lugar, há um monte de assassinos com armas”.
Vários documentos examinados pelo WSJ, juntamente com entrevistas de pessoas que fizeram negócios com Liu, suscitam dúvidas sobre seu relato. Eles mostram que toneladas de alumínio foram desviadas para o México a partir da China por meio de uma rede de empresas controladas por parentes ou outras pessoas ligadas a Liu.
O Departamento de Comércio dos EUA informa que está investigando a origem real do metal mexicano, em resposta a uma série de queixas comerciais feitas pela indústria de alumínio dos EUA contra a China.
O boom da produção industrial chinesa tem reordenado drasticamente o mercado global de alumínio. Alimentada pelo acesso a energia elétrica barata e isenções de impostos, a produção de alumínio da China dobrou entre 2010 e 2015. Com a desaceleração da demanda local, houve uma alta nas exportações para os EUA. Em 2015, o país importou 40% do alumínio que consumiu, comparado com 14% em 2010. Até o fim deste ano, só cinco fundições de alumínio estarão operando nos EUA, ante 23 em 2000.
A Alcoa Inc., maior fabricante de alumínio dos EUA, está se dividindo em duas, separando suas lucrativas unidades de fabricação de peças das problemáticas operações de alumínio. No ano passado, o líder executivo da Alcoa, Klaus Kleinfeld, disse que exportações ilegítimas da China foram “o principal causador” da queda dos preços do alumínio.
A ascensão de Liu como magnata do alumínio teve início em 1993, quando ele começou a transformar sua empresa de um pequeno participante do setor na China num dos maiores produtores do mundo. O principal negócio da China Zhongwang é a produção de “extrusões” de alumínio: tubos, vergalhões e chapas usados em produtos acabados, como geladeiras e automóveis. Em maio de 2009, Liu abriu o capital da empresa na bolsa de Hong Kong, mantendo uma fatia de 74% e captando US$ 1,26 bilhão numa das maiores ofertas públicas iniciais de ações no ano.
Em 2009, as exportações de extrusões de alumínio da China aos EUA mais do que dobraram ante 2008, para 192 mil toneladas. Os preços das extrusões importadas caíram 30% nos EUA em relação ao ano anterior, segundo a Global Trade Information Services (GTIS), firma que monitora o comércio mundial.
A explosão das exportações levou o Departamento de Comércio a concluir que várias companhias, incluindo afiliadas da China Zhongwang, estavam vendendo alumínio a preços injustos, ao mesmo tempo em que recebiam subsídios em casa. Em 2010, o órgão impôs tarifas punitivas sobre certas importações, como as feitas pelas “empresas do Grupo Zhongwang”.
As exportações da China Zhongwang cessaram e seu lucro em 2010 caiu 26% em relação ao ano anterior. Ela nunca respondeu a perguntas do governo americano sobre suas práticas comerciais, informou o Departamento de Comércio. Ela também não respondeu aos vários pedidos de comentário para esta matéria.
Por volta da mesma época, um empresário jovem e ambicioso, Po-Chi “Eric” Shen, de Cingapura, começou a comprar imóveis no México. Ele se estabeleceu em um terreno perto de San José Iturbide, a quase 260 quilômetros da Cidade do México. Lá, uma firma que Shen ajudou a criar, a Aluminicaste Fundición de México, elaborou planos de construir uma fábrica de US$ 200 milhões para fundir alumínio em metal bruto.
Shen tinha ligações com o clã Liu. Ele era amigo do filho de Liu, Liu Zuopeng. A mulher de Liu se tornou membro do conselho de uma de suas empresas, a Scuderia Development, segundo documentos públicos. Outra empresa de Shen, a Scuderia Capital, emprestou US$ 200 milhões à China Zhongwang em 2008, de acordo com um prospecto da China Zhongwang.
No México, Shen estava implementando um plano audacioso, dizem pessoas a par do assunto. Uma rede de empresas comerciais poderia encaminhar milhares de toneladas de alumínio da China para o México, onde uma fábrica o fundiria para envio aos EUA , evitando restrições comerciais e tirando proveito de benefícios do Nafta, o Tratado Norte-americano de Livre Comércio.
Em uma entrevista, Liu disse que não tinha envolvimento com a Aluminicaste e não ajudou Shen a financiar a fábrica.
Shen, em várias entrevistas ao WSJ, descreveu extensos laços comerciais com Liu. “Liu e eu tínhamos uma relação comercial muito complicada que não era de empregador nem de empregado, investidor ou investido”, disse.
No papel, a era das exportações tinha acabado para a China Zhongwang. Em seu relatório de 2011, a empresa informou que 96% da receita vieram de vendas dentro da China, ante 56% em 2010.
Na verdade, negociadoras chinesas que compravam o alumínio da empresa revendiam boa parte do produto para uma trading de Cingapura chamada GT88 Capital, segundo registros das transações e pessoas a par do assunto. O proprietário da GT88 era a Aluminicaste, de Shen.
Em 2011 e 2012, as importações de extrusões de alumínio do México dispararam. A maior parte do metal era entregue pela trading de Shen em Cingapura para a empresa de logística da Aluminicaste, segundo registros das exportações monitorados pela Panjiva Inc., firma de dados de comércio de Nova York.
Rumores sobre a empresa e o estoque gigantesco passaram a circular entre os produtores nos EUA. “Ninguém de fato sabia o que acontecia”, diz o executivo que encomendou as fotos aéreas da fábrica, Mike Rapport, que dirige uma firma de extrusão de alumínio na Califórnia.
Em 2013, a Aluminicaste foi transferida para o filho de Liu, que se tornou seu diretor-presidente, mostram documentos corporativos no México.
Liu diz que não fez parte de nada disso. “Neste assunto, eu não o ajudei”, disse em uma entrevista. O jovem Liu não respondeu a pedidos de comentários.
Shen abriu um escritório luxuoso em Dallas. Ele comprou casas caras, carros raros e um jato Gulfstream de US$ 10 milhões, segundo registros de um tribunal de Dallas. Ele também comprou uma Ferrari 1963, avaliada em US$ 32 milhões, e US$ 70 milhões em diamantes raros. Muitas compras foram para uso comercial ou investimentos, segundo Shen.
Mas ainda havia uma peça faltando. Pessoas a par do assunto dizem que a Aluminicaste precisava de um comprador nos EUA para refundir seu produto e prepará-lo para a venda no país. Para resolver o problema, Shen começou a preparar o terreno para uma fábrica de US$ 1,5 bilhão em Barstow, na Califórnia.
Shen disse a autoridades da cidade que tinha apoio do bilionário fundador da China Zhongwang, Liu, e que tinha acabado de construir uma grande fábrica de alumínio no México, diz Oliver Chi, na época administrador adjunto de Barstow.
No fim de 2013, Shen convocou uma reunião entre as autoridades locais e Liu em Irvine, Califórnia, diz Chi. Liu disse ter reservas sobre o projeto porque as empresas chinesas recebem assistência financeira substancial do governo, o que ele duvidava que ocorreria nos EUA, diz Chi, que participou da reunião.
Numa entrevista, Liu disse que participou da reunião para discutir “questões ambientais, não para discutir investimentos”.
Enquanto isso, contratempos se acumulavam. Caminhões e metais foram roubados da fábrica no México, atrasando entregas, dizem ex-empregados da Aluminicaste. A empresa não conseguiu obter os benefícios do Nafta, uma vez que as autoridades americanas concluíram que o metal vinha da China.
Diante dos crescentes problemas financeiros da Aluminicaste, parceiros de Liu acusaram Shen de má gestão dos fundos da firma, dizem pessoas a par das alegações e documentos judiciais.
Eles se mobilizaram para apreender os bens de Shen. Gestores da empresa que era dona do edifício do escritório em Dallas, a DFW Maple Leaf Partners, transferiram os ativos para a mulher de Liu, mostram documentos corporativos.
Shen nega qualquer irregularidade. Seu advogado, Dean Kajioka, da Kajioka & Associates, diz que Shen concordou em entregar seus bens depois que ele foi “ameaçado fisicamente” por pessoas ligadas a Liu. Um porta-voz da China Zhongwang disse que Liu não quis comentar sobre a alegação.
Para Henderson, provar que a China Zhongwang e Liu estavam por trás do alumínio mexicano virou uma obsessão. Em outubro de 2015, seu grupo comercial entrou com uma ação de 600 páginas no Departamento de Comércio, alegando que Liu está usando firmas afiliadas para burlar regras antidumping dos EUA.
Apesar dos contratempos, Liu ainda pensa grande. Em agosto, uma empresa controlada por ele e afiliada à China Zhongwang fechou a compra da produtora de alumínio americana Aleris Corp. por US$ 1,1 bilhão, o que seria o preço mais alto já pago por uma firma chinesa por uma empresa de metais americana.
Hoje, a Aluminicaste está sob nova gestão e o filho de Liu não é listado como dono. Charles Pok, um advogado da Califórnia que diz que agora ajuda a administrar a empresa, nega qualquer ligação entre a fábrica mexicana, a China Zhongwang e Liu, seu proprietário.
Mas Liu disse, em uma entrevista, que Pok trabalha para ele pelo menos desde 2004. Mais tarde, Pok admitiu que Liu é seu cliente, mas que não podia discutir o assunto devido à relação entre advogado e cliente.
Pok também assumiu uma série de funções que antes eram de Shen. Em janeiro de 2015, ele foi nomeado presidente da Eighty Eight Investments AG, holding suíça da GT88, a trading de Cingapura que exportava alumínio para o México.
Já a pilha gigantesca de alumínio diminuiu de tamanho, segundo autoridades da cidade, vizinhos e ex-empregados da Aluminicaste. Agora, há planos de enviar o metal para uma fábrica no Vietnã controlada pela Global Vietnam Aluminum Co., segundo pessoas a par do assunto. Um diretor da Vietnam Global, Jacky Cheung, é o novo presidente da Aluminicaste. Cheung não quis comentar.
O Vietnã já viu um salto nas importações de alumínio da China. Segundo a GTIS, o envio de extrusões da China ao Vietnã subiu 1.000% em 2015, para US$ 1,9 bilhão. Henderson prevê que muito desse alumínio acabará nos EUA.
Fonte: WSJ
quinta-feira, 27 de abril de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
OS GANSOS JÁ ESTAVAM VOANDO...
O crescimento explosivo das exportações japonesas nos anos 1960 para o rico mercado norte-americano, bem como seu superávit comercial, foi um ingrediente crucial do grande salto do Japão nos processos de acumulação de capital em escala mundial . No entanto , não se deveu de maneira alguma a uma agressiva postura neomercantilista japonesa. Deveu-se antes à crescente necessidade do governo norte-americano de baratear suprimentos essenciais para seus objetivos de poder tanto internamente quanto no exterior . Para alguns estudiosos , a novidade dos anos 1980 é que o convite se interrompeu inicialmente para o Japão (ver : ''O desenvolvimento à convite '' ) e, posteriormente para o 4 ''Tigres'' ---- mas neste momento, porém , os GANSOS JÁ ESTAVAM VOANDO. . O convite começa a mudar na metade final para os anos 1970. ''O governo norte-americano parou de torcer o braço de seus parceiros europeus e clientes do Leste Asiático para que eles abrissem espaço à expansão capitalista do Japão . Em vez disso, começou a torcer o braço do governo japonês para que revalorizasse o iene e abrisse a economia japonesa ao capital e ao comércio estrangeiros '' (Akyus) . Na verdade, o governo norte-americano voltou para fechar a porta da ''estrebaria'' , mas O CAVALO JÁ HAVIA DISPARADO.
K.M.
K.M.
MANIFESTO FUTURISTA (F.T. Marinetti)
Escrito por Filippo Tommaso Marinetti e publicado no jornal francês "Le Figaro", em Fevereiro de 1909, o Manifesto Futurista inaugurou um dos mais importantes movimentos artísticos do século XX. Tendo por base os desenvolvimentos tecnológicos de finais do século XIX, a pintura futurista apostava muitas vezes na sobreposição de imagens, imprimindo dinamismo à cena representada. As figuras ameçavam escapar do seu contorno, exaltava-se a velocidade e a força numa tentativa de representar o movimento e, com isso, inaugurava-se uma nova crença estética no seio das artes.
A primeira grande exposição de pintura futurista teve lugar em Milão, a 30 de Abril de 1911. Daí a três anos, uma grande parcela dos artistas que aderiram ao movimento tornaram-se críticos uns dos outros e alvos da pressão exercida pelo próprio Marinetti. Com a entrada de Itália na I Guerra Mundial, quando declarou guerra à Áustria em Maio de 1915, a maior parte das actividades artísticas sofreu um interregno. Após a Guerra, quando o grupo futurista se reuniu à volta de Marinetti, o movimento e as ideias já não reflectiam a forma de pensar de outrora e o novo futurismo acabaria por ficar ligado ao Fascismo. Contudo, as ideias inovadoras de um Boccioni, Giacomo Balla ou Duchamp (sim, esse mesmo, com o "Nu Descendo a Escada"...) seriam aproveitadas para desnvolver alguns dos movimentos artísticos que foram surgindo ao longo do passado século. Ficam as obras e o Manifesto...
"Dinamismo di un cane al quinzaglio" (1912). Giacomo Balla.
Manifesto Futurista
"Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuligens celestes -, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:
1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.
3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.
4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia.
5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita.
6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.
8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente.
9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo o tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas eléctricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o voo deslizante dos aviões, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.
É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.
Há muito tempo que a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
Museus: cemitérios!... Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem. Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!
Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponte uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus, nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?
E que se pode ver num velho quadro, senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?... Admirar um quadro antigo equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projectá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de acção.
Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
Em verdade eu vos digo que a frequentação quotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males, já que para eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!
Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com os seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decénio mais jovens e válidos que nós deitarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. - Pois é isso que queremos!
Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefacção, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.
Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão - uma noite de inverno - em campo aberto, sob um triste telheiro tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aviões trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje, flamejando sob o voo das nossas imagens.
Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais mais implacável quanto os seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
A forte e sã injustiça explodirá radiosa em seus olhos - A arte, de facto, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Os nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!... Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Erectos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
Vós nos opondes objecções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!... Nossa bela e hipócrita inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. - Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras infames!...
Cabeça erguida!...
Erectos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas."
ORGASMO DA VIDA UNIVERSAL ''
Conserva-se até hoje uma fotografia tomada por acaso ,cuja cópia não tenho aqui comigo, que mostra Adolf Hitler a 2 de agosto de 1914, em meio à uma multidão regozijante na praça do Odeon, Em MUNIQUE, quando da declaração da guerra. Nela se reconhece nitidamente seu seu rosto, a boca entre-aberta, o olhar ardente , que percebia por fim um objetivo e entrevia um considerável futuro pessoal. Porque aquele dia o libertara afinal de todas as hesitações, da perplexidade e do niilismo de sua existência e da existência alemã de forma geral , até aquele momento . ''Para mim '' , lembraria ele mais tarde '' aquelas horas foram como uma libertação das penosas impressões políticas da minha juventude. Não sinto nenhum vergonha de dizer hoje que, impulsionado por um entusiasmo transbordante, caí de joelhos e agradeci de todo coração aos Céus '' (A. Hitler) . Esse era um sentimento de gratidão que impregnava praticamente toda aquela época e se pode dizer que sob o fascínio marcial miraculoso daqueles dias de agosto de de 1914 os corações batiam em uníssono como raras vezes ocorrera até ali . '' O dia em que a guerra deflagrou-se e varreu a paz foi um instante sagrado de beleza '' (A. Hitler) e consumou as aspirações morais de toda uma nação. DE acordo com a tendência ao esteticismo da época, via-se na guerra um meio de escapar à pobreza da vida normal dos povos ---- um fenômeno de completa purificação; ela representava a esperança de liberdade definitiva da mediocridade geopolítica ocidental , do cansaço de viver das grandes potências econômicas e era celebrada loucamente nos cantos sacros, e encaravam-na como o ''ORGASMO DA VIDA UNIVERSAL '' que cria e fecunda o caos de onde sairá um mundo novo.
K.M.
BASTA AGORA ESCOLHER QUAL....
QUE EU PRECISAREI DE ASILO POLÍTICO MAIS OU MENOS PARA AGORA, JÁ É UMA REALIDADE DE PEDRA. BASTA AGORA ESCOLHER QUAL....
K.M.
terça-feira, 25 de abril de 2017
OS GANSOS VOADORES
A estratégia de deslocamento dos investimentos japoneses descritas nos relatórios do WIR, do Nomura Research Institute e nas análises históricas de alguns estudiosos de destaque quase único, , ou macroeconômicas como as de Akyus , apontam na direção de uma dinâmica de desenvolvimento regional liderada pelo Japão emque os diferentes países deslocam-se em formação como os gansos voadores . Rowthorn oferece uma ótimaanálise crítica desse paradigma em ''East Asian Development: The Fly Geese Paradigm Reconsidered '' . O paradigma dos gansos voadores foi desenvolvido primeiramente por Akamatsu em 1932 e aplicava-se ao Japão em seu processo de ''catching - up '' Nessa formulação, as exportações do país líder inicialmente exerciam um efeito negativo sobre a indústria no país retardatário, posteriormente, com a cópia da técnica e com a ajuda do governo, desenvolvia em melhores condições produtos competitivos. Rowthorn sublinha que as versões mais recentes do paradigma alteraram esta descrição de duas formas. Kojima , em 1973 e 1985 , enfatiza a função de transferência de tecnologia ligada ao IDE e o papel positivo em colaboração dos governos. A reciclagem das vantagens comparativas feitas pelas empresas transnacionais. A formulação atual deste paradigma deve no mínimo supor a existência de um desenvolvimento hierarquizado , mas concatenado , entre países com distintos graus de desenvolvimento através de efeitos positivos e realimentados do comércio e do investimento direto . A sinergia apontada pelo ganso líder e os gansos subsequentes dificilmente seria compatível com déficits comerciais vultuosos como os registrados na segunda metade dos anos 1990. Como destaca Rowthorn, o paradigma dos gansos voadores, como usualmente formulado, supõe que o ganso líder absorva as exportações intensivas em mão -de-obra dos países retardatários durante os estágios iniciais de seu desenvolvimento e, posteriormente, das exportações de manufaturas com maior conteúdo tecnológico. Dificilmente, naquele contexto , os dados relativos ao comércio do Japão com os países da ASEAN-4 sustentariam uma posição de mercado para manufaturas de baixo valor agregado, do mesmo modo, no caso dos Tigre Asiáticos, o Japão chegou a se tornar exatamente um mercado importante para bens industriais de maior conteúdo tecnológico. Ainda que a expansão do comércio internacional intra-firma apontasse numa direção numa direção compatível com o modelo dos gansos voadores liderada pelos IDEs japoneses, não é possível derivar o amplo desenvolvimento do Sudeste Asiático desta dinâmica. Baseado nestes fatos, Rowthorn questionou a função do Japão como líder dos gansos voadores asiáticos. Estes mesmos dados apoiaram, porém , uma dinâmica de indução do desenvolvimento a partir dos 4 Tigres Asiáticos para a ASEAN-4 . Considerando a questão do protecionismo japonês numa perspectiva histórica, intérpretes dos desenvolvimento econômico asiático como Bagchi consideram que a influência positiva do Japão sobre o modelo para a ação estatal do que como mercado ou fonte de financiamento para o desenvolvimento econômico. Os mercados para a maioria dos países do Leste Asiático sempre estiveram nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.
K.M.
K.M.
CHU EN-LAI
'' Nossas políticas são bem definidas. Somos todos contrários às grandes potências, ao poder político e à dominação. Não nos tornaremos uma grande potência em hipótese alguma. ''
''A China é um país pobre; mas nossa prioridade tem sido alimentar o povo, e isso nós temos conseguido ''
CHU EN-LAI
He he...
''Ele é o único comunista decente que já encontrei na vida, se é que isso existe''
CHANG KAI-CHEK
Revolucionário , organizador, comandante, diplomata e político, Chu En-Lai foi descrito pelo escritor norte-americano Theodore White como ''um homem brilhante e cruel como nenhum outro já produzido pelo movimento comunista neste século. Ele podia agir com absoluta ousadia, ou delicadamente, risonho e agregador, ou como um gato perseguindo um rato, convicto como um homem que idealizou seu caminho através de um único meio de ação ---- uma das peças fundamentais da Revolução Chinesa e, após a proclamação da República Popular , tornou-se seu Primeiro-Ministro.
(.)
Em 1944 , seguindo as determinações do Presidente norte - americano Franklin D. Roosevelt, uma missão militar se estabeleceu em Yenan , cidade onde Chu passava a maior parte do tempo. Os Estados Unidos estavam em guerra contra o Japão desde dezembro de 1941, quando os japoneses atacaram Pearl Harbor, no Havaí. A entrada na Segunda Guerra Mundial se fez por meio de uma aliança com a União Soviética (em guerra contra a Alemanha desde junho desse ano ), a França e a Inglaterra (ambas em guerra contra a Alemanha desde 1939 ). Os norte-americanos esperavam persuadir os comunistas e os nacionalistas chineses a deixarem de combater entre si e a se concentrarem na luta contra os japoneses. Mas o desejo norte-americano de uma China Unida ( quanta ironia!) não foi realizado. Apesar de os norte-americanos terem nomeado Chang Kai-Chek comandante-chefe da Operação de Guerra da China-Birmânia-Índia (CBI) em janeiro de 1942 e de terem fornecido milhões de dólares em ajuda econômica e militar, Chang preferia deixar que os norte-americanos se encarregassem sozinhos de combaterem os japoneses (risos) . Por sua vez, ele simplesmente redobrava esforços na luta contra os comunistas. Como o volume da ajuda norte-americana para aChina era canalizada aos nacionalistas, os comunistas pouco recebiam. Isso frustrou profundamente alguns de seus líderes , especialmente depois que ficou claro que os exércitos comunistas eram mais eficientes na luta contra os japoneses do que as forças de CHang . Antes de 1944, quando alguns dos piores abusos das forças nacionalistas começaram a ser corrigidos, seus próprios soldados eram ''amarrados uns aos outros para evitar que fugissem '', de acordo com relatos o historiador norte-americano Edmund O. Clubb, em seu livro China Século XX, Clubb tbm era explica que muitos soldados nacionalistas ''morriam antes mesmo de chegarem `às unidades as quais estavam designados . Milhares de outros morriam por falta de cuidados médicos básicos e mesmo por falta de alimentação, negligenciada por superiores corruptos. Como consequência, o comando militar estava enfraquecido e a moral das tropas se encontrava em situação ainda pior. Os exércitos nacionalistas mantinham-se em cerradas posições defensivas , estocando suas novas armas norte-americanas para um eventual uso contra os comunistas. De 1941 à 1944, a guerra da China contra o Japão mergulhou num grande suspense, sem nenhuma manifestação do governo em Chungking, mas , em compensação , um forte cordão militar cercou a base comunista chinesa no noroeste da China ''. A incapacidade de Chang de levar adiante a guerra contra os japoneses irritou profundamente um norte-americano em particular: o General Joseph W. Stilwell. Como Comandante dos Estados Unidos para a Operação de Guerra CBI e chefe do Estado-Maior de Chanf, Stillwell fizera diversas e seríssimas advertências para que aumentassem imediatamente a eficiência das forças nacionalista. Porém, já que isso implicaria mudanças na estrutura do comando, Chang e muitos deles, inclusive o próprio Chang e muitos deles, estavam usufruindo do dinheiro recebido dos Estados Unidos em benefício próprio. A corrupção e a brutalidade dos nacionalistas provocaram a fúria sanguinária contra aquelas pessoas que os norte-americanos protegiam. Quando os japoneses tomaram a província de Hunan em 1944, milhares de civis chineses receberam se rebelaram, ajudando os japoneses a massacrar as tropas nacionalistas. No início de 1945, Chu sugeriu que se realizasse um encontro ntre Mao e Roosevelt ,mas não se obteve resposta. Roosevelt morreu em abril e foi sucedido pelo Vice-Presidente Harry Truman . O conflito que envolveu quase todo o mundo ocidental e oriental e ficou conhecido como Segunda Guerra Mundial terminou em agosto, quando os norte-americanos lançaram duas bombas atômicas sobre o Japão. Após a rendição dos japoneses, Chu acompanhou Mao a Chungking, onde se realizaria uma conferência entre comunistas e nacionalistas. Os nacionalistas garantiam a segurança de Mao, mas ainda assim Chu comia todas as suas refeições com medo de estarem envenenadas. Nas negociações, observadores sentiram Chu mais conciliador, ao passo que Mao assumiu um tom inflexível . Para ele, estava claro que os norte-americanos continuariam a ajudar CHang. Mao logo retornou a Yenan , deixando para Chu a tarefa de elaborar os detalhes do acordo. Durante um encontro com o Coronel David Barrett , membro da missão em Yenan , Mao, profundamente irritado com a atitude norte-americana em favor de Chang, declarou :
------ APÓIEM CHANG O QUANTO QUISEREM, MAS LEMBREM-SE DE UMA COISA: A CHINA PERTENCE AO POVO CHINÊS. TÃO CERTO QUANTO DIZER QUE O INFERNO NÃOÉ DE CHANG-KAI-CHEK . A CHINA PERTENCE AO POVO CHINÊS E ESTÁ CHEGANDO O DIA EM QUE VOCÊS NÃO PODERÃO MAIS APOIA-LO.
K.M.
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