quarta-feira, 3 de maio de 2017
RELATIVO SUCESSO NAS MUDANÇAS.
Os elevados saldos frente aos Estados Unidos colocaram o Japão diante de dois problemas importantes. O primeiro era como realizar a transferência para o exterior desses gigantescos excedentes em moeda estrangeira ----- basicamente dólares norte-americanos ---- minimizando os desajustes macroeconômicos desse processo. O segundo era como enfrentar as pressões norte-americanas no sentido de flexibilizar as limitações às importações de bens e serviços estrangeiros e à liberalização do mercado financeiro japonês. Na visão dos EStados Unidos , o Japão deveria permitir uma maior internacionalização do iene para com isto aumentar a demanda pela moeda japonesa e, assim , permitir que o mercado auxiliasse o reequilíbrio das contas bilaterais. O processo de liberalização financeira no Japão tomou , daí em diante , novo impulso. Até então , seu objetivo principal era permitir que empresas nacionais pudessem acessar fontes de crédito mais baratas no exterior, muitas vezes intermediadas por bancos e securities companies japonesas , sem que isso colocasse em cheque as severas limitações que regulavam os mercados de capitais do Japão . Então, a preocupação maior era gerenciar os desequilíbrios externos de forma a impedir uma rápida valorização do iene. Até 1985, as principais mudanças na regulação financeira com o exterior foram efetivadas no mercado cambial .Eliminaram-se os limites para os bancos japoneses manterem '' posições abertas '' em moeda estrangeira e as restrições a que residentes realizassem operações a ''futuro'', sem lastro em transações comerciais. AS taxas de juros de não foram, no entanto, utilizadas como mecanismos de reciclagem. AS taxas básicas de desconto do Banco Central permaneceram ao redor de 5% ao ano , dando assim continuidade à política monetária restritiva implementada desde os anos 70 . Essa administração, à luz dos dados , alcançou sim relativo sucesso. A despeito de um aumento dos ativos externos do BAnco Central e de outras instituições públicas, o setor privado ---- como as seguradoras ---- aumentou substancialmente suas posições em ativos denominados em moeda estrangeira, em particular os títulos da dívida pública norte-americana.
K.M.
terça-feira, 2 de maio de 2017
MEGA-SUPERÁVITS JAPONESES NOS ANOS 80.
A retomada da economia americana encontrou sua indústria em posição difícil para concorrer com os fabricantes estrangeiros. Simultaneamente, japoneses, europeus e outros parceiros comerciais dos Estados Unidos estavam preparados para ocupar o crescente mercado dos EStados Unidos. As contas-correntes americanas não tardaram a registrar déficits cada vez maiores com o resto do mundo. Na primeira metade da década de 1980 , as exportações americanas estagnaram, enquanto as importações aumentaram em quase 50%, a despeito da redução do preço do petróleo. Desde então , os déficits comerciais tem sido, em geral , superiores a U$ 100 bilhões, chegando à situação que encontramos hoje. O Japão foi, até recentemente, o principal beneficiário direto dos déficits comerciais norte-americanos. Entre 1982 e 1986, o desequilíbrio do comércio bilateral aumentou de U$ 18,1 bilhões para U$ 51 ,4 bilhoes em favor do Japão, mantendo-se por muito tempo acima de U$ 45 bilhões. Como consequência, os japoneses passaram a acumular mega-superávits em conta-corrente, o que os levou a se tornarem, já em 1985m os principais credores líquidos do mundo, posição que pertencia aos EStados Unidos.
K.M.
K.M.
Saldo comercial dos Estados Unidos e do Japão (1977-1994)
Em bilhões de dólares.
Fonte: FMI, International Financial Statistics; Bank of Japan, Economics Statistics Anual, 1986.
1977 (USA : -30,9) (JAPÃO: 17,3) (USA-JAPÃO: -7,3)
1978 (USA : -33,8 ) (JAPÃO : 24, 6 ) (idem: -10,1)
1979 (USA : -27, 3 ) (JAPÃO : 1,8 ) (IDEM : -6,0)
1980 (usa: -31,4 ) (JAPAN : 2,1 ) (I : 7,0)
1981 (-34, 6) (19,9) (-13,3)
1982 (-38,4 ) (18,1) (-12,1)
1983 (-64,2) (31,5) (-18,2)
1984 (-122,2) (44,3) (-33,1)
1985 (-133,6) (56) (-39,6)
1986 (-155) (82) (-51,4)
1987 (-170) (79,7) (-52,1)
1988 ( -138) (77,6) (-48)
1989 (-109, 4) (64,3) (-44,9)
1990 (-101,7) (52,2) (-38)
1991 (-66, 7) (77,8) (-38,2)
1992 (-84,5) (106, 6) (-43,6)
1993 (-115,6) (120,2) (-50,2)
1994 (-150,6) (123,7)
A crise dos anos 1990 representou uma ''derrota'' importante.
A crise dos anos 1990 representou uma ''derrota'' importante para uma nação que foi considerada, ao longo de todo o pós-guerra , paradigma de resposta nacional tanto ao desafio do atraso econômico --- nos anos 50 e 60 --- quanto aos choques externos --- elevação do preço do petróleo, aumento dos juros norte-americanos (1980) e valorização do iene ---- ENDAKA (1985) . Esse insucesso ocorreu em um cenário de uma economia internacional financeiramente globalizada e de intenso conflito político interno, que teve sua principal expressão em 1993, na primeira derrota do Partido Liberal Democrático --- em quase quatro de´cada de existência. Para identificarmos os fatores que levaram à essa crise da economia japonesa é necessário recuar ao início da década 1980 e analisar as estratégias de ajuste adotadas pelo governo, pelas empresas e pelos bancos nipônicos para fazer frente às pressões e aos desafios impostos pelo cenário internacional, marcado pela Reaganomics e pela retomada da hegemonia americana. O marco inicial do processo remonta à decisão do Federal Reserve, no fim de 1979, de elevar os juros a níveis sem precedentes na história dos Estados Unidos. No período que vai do início de 1980 até meados de 1982, as taxas de juros norte-americanas não só foram mantidas acima de 15% ao ano como também estiveram sujeitas a flutuações jamais vistas, Nos anos seguintes, apesar de as taxas nominais terem sido reduzidas a menos de 10 % ao ano , a rapidez da baixa da inflação manteve as taxas reais de juros nos EStados Unidos em níveis bastante elevados. Como consequência, a moeda americana se valorizou muito frente às de seus parceiros comerciais. Entre 1971 e 1980 , o dólar havia declinado 25% em relação a um cesta das principais moedas. No início de 1985, o dólar atingiu seu máximo , chegando a valer 80% mais do que 5 anos antes. Tendo em vista a magnitude das variações cambiais, era de se esperar que a competitividade das empresas americanas tanto no exterior quanto em seu mercado interna fosse negativamente afetada. Todo esse processo foi ainda agravado por uma mudança brusca na política fiscal norte-americana. Em 1981 , a administração Reagan decidiu reduzir os impostos, aumentando o déficit público de 1% para 5% do PIB . Logo em seguida, a economia americana começou a crescer mais rapidamente que a média dos países da OCDE, ao mesmo tempo em que o dólar se mantinha valorizado e a taxa de juros americana elevada.
K.M.
Retomada da hegemonia.
Os Estados Unidos não assistiram impassíveis a esses movimentos. No início dos anos 1980 ,Já haviam conseguido reafirmar sua hegemonia através da diplomacia do dólar forte, submetendo seus parceiros, em particular os japoneses, ao projeto de recuperação de sua economia. A partir de 1985 , usaram a valorização das moedas de seus concorrentes como instrumento para , n o caso dos japoneses, gerar prejuízos em exportadores e investidores incautos, que se haviam exposto demasiadamente no mercado norte-americano ; forçar a internacionalização de suas indústrias e de seus capitais ; e para impor às autoridades locais políticas expansionistas que se contrapunham ao caráter recessivo do choque externo. A opção do governo japonês por reduzir ao mínimo as taxas de juros com o objetivo de manter o crescimento econômico desencadeou um processo especulativo nos mercados de ativos do Japão ---- imobiliário e de ações --- que levou o país, no início da década de 1990. à pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. De 1992 `à 1995 , sua economia atravessou a mais longa recessão desde o fim Segunda Guerra. As taxas de crescimento do PIB reduziram-se à 0,7% ao ano . Embora a economia tenha crescido em 1996 mais de 3% a.a. , como decorrência da forte desvalorização do iene , a retomada veio perdendo fôlego nos primeiros meses de 1997, revelando que a crise ainda não tinha sido inteiramente superada. Nesse cenário , a preocupação norte-americana com uma possível ''REVANCHE'' japonesa foi temporariamente afastada . A despeito de os déficts comerciais permanecerem elevados e de a dívida pública americana continuar sendo financiada por capitais japoneses, o Japão deixou de ser visto como a principal ameaça aos interesses e à liderança norte-americana no mundo.
K.M.
REVANCHE !
K.M.
Em busca de uma taxa mais equilibrada.
A década de 1970 foi inaugurada com o colapso final do sistema de Bretton Woods de taxas de câmbio fixas. Em 15 de agosto de 1971, Richard Nixon extinguiu a coversibilidade do dólar m ouro , devido às contínuas perdas de quantidades substanciais das reservas de ouro americanas , resultantes dos crescentes déficts em contas-correntes . As elevadas taxas de inflação nos Estados Unidos contribuíram para exacerbar as pressões para o declínio do dólar na época. Este evento foi seguido em 17-18 de dezembro de 1971 pela conferência no Smithsonian Institute em que o assim chamado Grupo dos Dez concordou em estabelecer uma banda mais larga do que a permitida pelo sistema de Bretton Woods para variações de taxas de câmbio . Ficou acertada uma taxa de Y 308 por dólar. Entretanto as pressões altistas sobre o iene e para a baixa do dólar continuaram após a assinatura do acordo . Com efeito, para retificar a defasagem cambial que se havia acumulado ao longo dos 27 anos do sistema de Bretton Woods de taxas fixas , o dólar caiu de Y360 para Y280 nos dois anos entre 1971 e 1973. Isto induziu a que o Tesouro americano , sob a direção de Heorge Schultz, adotasse um real sistema de taxas flutuantes em fevereiro de 1973 . Apesar de uma maior demanda por divisas que se manteve até meado dos anos 1970, oriunda da aceleração dos investimentos das corporações americanas o exterior --- especialmente na manufatura ---- não se observaram ao longo da década os maciços fluxos de capital que marcariam os anos 1980. Além disto , vários outros fatores levaram aque a apreciação do iene se desse num ritmo mais lento durante esse período. Primeiramente, entre 1973 e 1978, o Japão foi atingido de modo particularmente duro pela crise do petróleo , que agiu em sentido contrário à tendêcia da ''endaka'' . Adicionalmente , após o primeiro choque do petróleo , o Banco do Japão afrouxou a oferta monetária e baixou as taxas de juros para cnter a escalada do iene, tornando os títulos japoneses relativamente menos atraentes. Por fm, as muitas restrições ao ingresso de investimentos diretos no Japão eram identificadas por estudos do Tesouro Americano, já em 1971 , como sendo um dos principais obstáculos a uma taxa iene-dólar mais equilibrada.
K.M.
K.M.
Assinar:
Postagens (Atom)



