terça-feira, 25 de abril de 2017

Cerimônia de Proclamação da República


Concluído seu discurso histórico, naquele mesmo dia, enquanto Mao devora com apetite um prato de pimentões, e acende seu quadragésimo cigarro do dia, nas ruas de Pequim a festa da Cerimônia de Proclamação da República Popular da China continua, com foguetes e morteiros autenticamente chineses (invenção nacional ) , e o redator do Times, em Londres,  apresenta ao seu diretor o editorial que será publicado exatamente 24 horas depois: 

''OS HOMENS QUE EM PEQUIM TOMARAM O PODER NESTE FIM DE SEMANA SÃO OS VENCEDORES DE UMA REVOLUÇÃO TÃO IMPORTANTE POR SUAS CONSEQUÊNCIAS MUNDIAIS QUANTO O FOI A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE DE 1917 NA RÚSSIA. AS VITÓRIAS MILITARES REGISTRADAS NESTAS ÚLTIMAS SEMANAS MODIFICARAM COMPLETAMENTE O MAPA POLÍTICO E DIPLOMÁTICO DO LESTE DA ÁSIA. ATRÁS DAS COLUNAS MILITARES EM MARCHA,  MILHÕES E MILHÕES DE CHINESES SÃO ARRASTADOS PARA O GIGANTESCO TORVELINHO SOCIAL... O NOVO GOVERNO SERÁ JULGADO MENOS PELO QUE DIZ DO QUE PELO QUE FAZ, EM TODO CASO, É O PRÓPRIO MAO TSÉ QUEM ADVERTIU :

----- O TEMPO EM QUE A CHINA  ERA TRATADA COMO UM PAÍS INCIVILIZADO SIMPLESMENTE ACABOU.

K.M.

EXPLOSÃO DAS EXPORTAÇÕES NORTE-AMERICANAS

Convém  talvez considerarmos um pouco a inserção do continente latino-americano na economia mundial nos anos 1980 ---- como se sabe, a América Latina se viu a partir de 1985 confinada a uma posição marginal tanto nos fluxos de comércio quanto de investimento AS diferenças nacionais importantes em termos de padrão histórico e grau de industrialização ---- particularmente pelo êxito do desenvolvimento brasileiro e mexicano e a desindustrialização chilena e argentina no fnal dos anos 1970 ; não diferenciaram os países enqanto devedores do sistema financeiro internacional . O intenso esforço exportador latino-americano ocorrido nos anos 1980 e, particularmente, pós-85 foi acompanhado por deterioração os termos de troca concentrando-se, com exceção do México e parcialmente do Brasil , essencialmente nas commodities agrícolas e industriais  . Entre as duas crises mexicanas (1982 e 1994) , os acontecimentos econômicos e políticos sucederam-se na direção de uma intensa abertura comercial e financeira. A stratégia comercial norte- americana voltada para a recuperação da competitividade de suas exportações, como as que  antes examinamos aqui , constituiu um elemento central para o entendimento da mudança do contexto macro-econômico dos anos 80 em relação aos 90 e daatual inserção internacional latino-americana . Com efeitos, a crise dadívida externo nos 80 significou forte contração das exportações americanas para a região.  Segundo Hollist: ''Paradoxalmente, para amortizar dívidas as nãções latino-americanas necessitavam aumentar suas exportações e reduzir importações. Isso, obviamente, colidia de frente com a necessidade dos Estados Unidos de aumentarem suas exportações e reduzir importações de forma a diminuir seu desequilíbrio, incluindo aquelecom o Japão.  (Hollist, W.L. : Reducing Bilateral Tensions between United States and Japan: Multilateral Cooperation in the Americas and Beyond ). Para este autor, o crescente envolvimento dosbancos japoneses na dívida externa latino-americana --- em 1988 os bancos comerciais japoneses possuíam cerca de U$ 46 bilhões em empréstimos para países latino-americanos mais do que o dobro do que possuíam em 1982 --- sobretudo no Plano Brady de 1989 visava-se ''compensar os problemas criados pelo enorme superávit da balança de transações correntes com os EStados Unidos na metade da década.Ambos os governos de Estados Unidos e Japão esperavam que a reciclagem decapitais japoneses para a América -Latina permitiria às nações da região retomar sua função tradicional de maior mercado dos Estados Unidos além de contribuir para a diminuição do seu déficit comercial. Com a reestruturação da dívida e a abertura comercial financeira unilateral e universalmente praticada no continente no final dos 80 e início dos 90 , o panorama mudou drasticamente. Mais do que  qualquer fundamento macroeconômico endógeno , os protagonistas centrais desta mudança inaugurada no final da década foram a redução das transferências financeiras decorrentes da redução das taxas d juros e da reestruturação da ´divida e as inovações nos mercados  financeiros internacionais. Com a securitização da dívida externa pela emissão de bônus negociados no mercado financeiro internacionais, o continente, precedido pelo México, reingressou no circuito financeiro como receptor de investimentos de portfólio. Uma das condições essenciais de acesso às novas condições das finanças internacionais tornou a estabilidade das taxas de cambio em regime de livre convertibilidade. Isto significou no caso latino-americano uma drástica mudança na politica cambial historicamente vigente. Nas novas condições, hoje prevalecentes na maioria das economias da região com parcial exceção do Chile, ataxa de câmbio passou a ser determinada pelo fluxos financeiros (desvinculando-se dos saldos comerciais e do poder aquisitivo das moedas ) influenciando, por esta via, os fluxos comerciais. Os vínculos entre taxa de juros e taxa de câmbio provocaram uma importante instabilidade em ambos ----- isso tornou-se evidente na crise Mexicana --- ampliando a subordinação da politica econômica às flutuações dos mercados financeiros.  Justo : esta nova situação  internacional, ao lado da redução relativa das transferências financeiras, foi o que viabilizou, em ultima instância, o financiamento de uma VERDADEIRA EXPLOSÃO DAS EXPORTAÇÕES NORTE-AMERICANAS PARA O CONTINENTE.  Com uma rápida recuperação da capacidade global de importar do continente , as exportações norte-americanas passaram de cerca de U$ 35 bilhões em 1987 para U$ 93 bilhões, em 1994, cerca de 18% das exportações totais americanas. Este ajuste importador latino-americano foi essencialmente puxado pelo Me´xico. O resto do continente ainda que numa dimensão  menos siginificativa, passou de uma situação superavitária para uma posição deficitária com os EStados Unidos.

K.M.

Sem título.

Os mercados de ativos exigem tratamento específico, separando pelo menos tres instrumentos : ações, títulos privados e públicos. O lançamento de ações de debêntures constituem formas de financiamento  alternativo ao crédito bancário para empresas. Porém, se parte das subscriçoes for realizada ou financiada por bancos, esta depende, tbm , da criação de liquidez bancária. Em se tratando de empresas com açções nas bolsas, estas novas emissões incorporam-se ao estoque de ações negociáveis que podem servir de subjacentes a contratos de derivativos envolvendo ações. O curso do preço das ações nas bolsas de valores rspondem em princípio a dois componentes : à rentabilidade prospectiva das empresas vis àvis à taxa de juros internacional de longo prazo e ganhos (perdas) especulativos vinculados a realização de lucros (prejuízos) decorrentes de antecipações corretas (falhas) do futuro. Hoje os valores a descoberto dos derivativos com ações podem influenciar o curso de seus subjacentes como se observou através dos efeitos da falência do Barings nas bolsas de Tóquio e Cingapura no passado recente. Da mesma forma, variações bruscas nos preços das ações acabam por contagiar o curso dos derivativos que as utilizam como subjacentes.  O aumento de operações de compra e venda nos mercados de ações e imobiliário tende a elevar preços uma vez que,  a qualquer momento , o estoque de ativos transacionáveis é constante. A expansão econômica dos países desenvolvidos entre 1984 e 1989 foi assistida por políticas monet´rias muito mais acomodatícias do que as até então prevalecentes. Taxas de juros mais baixas e a progressiva desregulamentação financeira, que removeu as regras que constrangiam a concorrência entre diferentes tipo de bancos, e entre estes e demais instituições financeiras, aumentou a disputa por clientela, diminuindo a margem entre taxas de juros ativas e passivas.  Multiplicaram-se as inovações nos mercados monetário e financeiro, cada vez mais indiferenciáveis segundo funções ou instrumentos específicos utilizados para criação de liquidez sistêmica. O maior poder de criação creditícia foi direcionado tanto para a produção e o investimento corrente, quanto para os mercados de ações, de derivativos e imobiliário . O BOOM ocorrido nesses mercados de ativos entre 1987 e 1989 resultou de diferenciais crescentes entre taxas de juros e de retorno prospectivo dos diferentes ativos, e da extensão do crédito a esses mercados como expediente para os bancos compensarem o estreitamento da margem de lucro nas operações bancárias convencionais.  Os mercados de ativos estão sujeitos a movimentos de inflação de lucros revertidos subsequentemente por deflações em seus preços. Exemplos do caso é o comportamento do mercado de ações americano, em 1987 ,e o japonês, em 1989 ; a evolução dos preços dos imóveis e da terra no Japão até o início dos anos 1990 ; as variações dos preços dos títulos da dívida pública americana no final de 1993 e início de 1994 ; a valorização do iene frente ao dólar durante o primeiro semestre de 1996 e sua desvalorização abrupta em junho de 1997 ----- ilustram perfeitamente tal dinâmica.  Em cada uma das situações houve um crescimento abrupto de preços revertido a partir de reavaliações sobre os diferentes futuros de rendimentos em cada um dos mercados. A obsrvação  destes mercados revela-nos que os ajustes contínuos nos portfólios são realizados a partir  de acesso diferenciado às informações, de interpretações alternativas para os mesmos sinais, de estados de confiança e de previsões diferenciados que escapam ao cálculo estritamente econômico e racional. Nos mercados de ativos as expectativas são instáveis e as opiniões divergentes. Incerteza, volatilidade de preços , informação interpretada de maneira parcial ou setorial explicam porqu  a recomposição de portfólios não é um fenômeno pontual, nem tem norma comportamental definida.

K.M.

He he...


O  Presidente da Comissão Regulatória de Valores Mobiliários da China, Liu Shiyu, disse em um discurso aos membros da bolsa de valores de Shenzhen , há alguns dias,  que os fiscais das bolsas de valores devem ''BRANDIR SUAS ESPADAS '' e ''COMBATER QUALQUER TIPO DE ATIVIDADE QUE CAUSE DISTÚRBIOS NA ORDEM DOS MERCADOS FINANCEIROS ''.

HE HE... a primeira ameaça de morte chinesa a gente nunca esquece.


K.M.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MACROECNOMIA NOS ANOS 1980.

O Acordo de Plaza realizado pelo G-7 em 1985 forçou uma pronunciada valorização do iene frente ao dólar ---- em um ano o dólar passou de 250 para 155 ienes ---- e inaugurou uma ampla ofensiva comercial dos Estados Unidos visando reverter seu desastroso déficit estrutural na balança comercial com o Japão.  O ano de 1985 foi um divisor de águas ; neste ano os Estados Unidos registraram déficits comerciais e fiscais (ou déficits gêmeos, como alguns preferem) SEM PRECEDENTES. Adicionalmente, os Estados Unidos se transformaram na nação mais endividada do mundo, sendo substituída pelo Japão como maior nação credora. Também durante este ano tratados comerciais extremamente protecionistas (muitos dels dirigidos para o Japão tendo em vista seus MASSIVOS SUPERÁVITS  ) foram submetidos ao Capital Hill . Era intenção do Congresso americano ( que possui a jurisdição constitucional sobre o comércio exterior ) sinalizar para Ronald Reagan que o Legislativo iria assumir o controle da política comercial a menos que o Executivo exercesse maior controle sobre a macroeconomia e as práticas ''injustas '' do Japão e de outros grandes parceiros comerciais. No outono de 1985, Reagan finalmente cedeu à pressão do Congresso decidindo intervir  (através do Acordo de Plaza, G-5) no mercado cambial e invocar ativamente o Artigo 301 do Tratado comercial de 1974 de forma a controlar as práticas comerciais consideradas ''injustas '' . Como o ''Omnibus Trade Acts de 1988 --- que continha a SUPER 301 ---- a política mercantilista americana aumentou a capacidade de retaliação às consideradas  ''unreasonable, unfair or inqutable trade pratices ''. Em 1989, o Japão foi colocado na lista dos ''unfair traders'' e foram abertas negociações em torno do denominado Structural Impediments Initiative. Conforme sublinha H. Sato,  a ''ofensiva comercial a partir de 1985 distingue-se pela agressividade e a determinação das políticas anteriores baseadas nos acordos de limitações voluntárias de exportações (Voluntery Export Restrictions ) e na ''market acces strategy '' focalizada na promoção de exportações agrícolas e de setores de alta tecnologia. Enfim , A transformação do Japão nos anos imediatos ao Acordo de Plaza no maior investidor internacional constituiu uma estratégia de ajustamento estrutural aos novos alinhamentos macroeconômicos. Sob intensa pressão comercial exercida pelos Estados Unidos e perda de competitividade de suas exportações, o Japão intensificou um processo de deslocamento produtivo em direção aos países do leste e sudeste asiático.  A organização de uma economia regional liderada pelo Japão  fez parte dos processos de reorganização dos espaços econômicos e políticos no contexto  da Guerra Fria... como já vimos em textos anteriores. A percepção de que a valorização do iene era uma mudança duradoura e não temporária afirmou-se rapidamente como  uma ''CONVENÇÃO '' tanto para as empresas japonesas quanto para as burocracias.  A resposta das empresas japonesas à apreciação do iene e à continuada fricção comercial foi de três tipos : Primeiro elas investiram pesadamente em casa de forma a acelerar a produtividade e cortar custos. Em segundo lugar ,elas investiram pesadamente nos Estados Unidos e, numa menor extensão, na Europa, de modo a abastecer diretamente estes mercados com plantas locais, evitando  protecionismo e  protegendo lucros. E, finalmente, elas relocalizaram a produção para países de baixo custo no Leste Asiático, primeiro nos NICs e depois na ASEAN e China de forma a exportar tanto para terceiros mercados e de volta para o Japão como para abastecer mercados locais. Tudo isso nos indica que as empresas japonesas perceberam a apreciação do iene pós Plaza como uma MUDANÇA PERMANENTE , e não um DESLOCAMENTO TEMPORÁRIO .  A valorização do iene, a estratégia de investimentos do Japão e o crescimento da economia americana beneficiaram fortemente países como Coréia e Formosa. Cumpre ainda ressaltar que ai importância estratégica da política cambial praticada  por estes países... .Na primeira metade dos anos 1980, ambos desvalorizaram suas moedas em relação ao dólar seguindo o iene. Na segunda metade da ´decada, seguiram o movimento do dólar desvalorizando suas moedas em relação ao iene.  O crescimento dos já elevados excedentes comerciais em ambos os países levou a um brusca mudança de atitude dos Estados Unidos com o fim de cláusulas de tratamento preferencial, com a imposição de restrições voluntárias de exportações e, por fim , pela valorização de suas moedas no final da década. Da mesma forma que o Japão, Coréia e Formosa tornaram-se importantes investidores no início dos 90. Países como Tailândia, Indonésia, Malásia, Filipinas (denominados na época de ASEAN _4 e ; .. do aumento de investimentos e da competição externa acelerada pelos IDE japoneses,  A valorização do iene inicialmente beneficiou os NICs (os quatro Tigres Asiáticos , que receberam amplo volume pelo IDE  japonês. Inicialmente estes investimentos concentraram-se em manufaturas intensivas em trabalho , mas subsequentemente deslocaram-se para setores intensivos em tecnologia a medida que os salários subiam e a moeda destes países valorizava-se em relação ao dólar depois de 1987. ''VALORIZAÇÃO DAS MOEDAS E CRESCIMENTO DOS SALÁRIOS NOS NIEs  BEM COMO SENTIMENTOS ALTAMENTE PROTECIONISTAS CONTRA ESTS PAÍSES EXPLICA PORQUE O IDE JAPONÊS, PARTICULARMENTE EM MANUFATURAS INTENSIVAS EM MÃO DE OBRA MOVEU-SE GRADUALMENTE PARA ASEAN E CHINA'' (Akyus ) .  A aceleração do crescimento dos países da ASEAN-4 deveu-se ao BOOM das exportações e ao investimento , sobretudo sob a forma de IDE do Japão e demais ''Tigres''. Talvez o caso mais espetacular de crescimento neste período tenha sido o da China. Em 1984, o financiamento externo da economia chinesa foi de U$ 13 bilhões e o IDE de U$ 12,6 bilhões. Em 1987 estes números foram, respectivamente, U$ 59  e U$ 23 bilhões, totalizando a impressionante cifra  de U$ 84, 5 bilhões. Ajudada por uma forte desvalorização do yuan tanto em relação ao iene quanto ao dólar , a meteórica expansão do comércio exterior chinês foi inteiramente articulada com o IDE de origem asiática, em particular, de Hong-Kong, responsável por quase 60% dos IDE que se deslocaram nestes anos para a China. A expansão de investimento de Hong-Kong na China alterou drasticamente o comécio internacional de Hong-Kong . Até 1985, a maior parte das exportações desta cidade-Estado era de origem própria. A partir de 1985 e maisainda apartir de 1989, a maioria de suas exportações era formada por re-exportações oriundas da China que ,ademais, afirmou-se como grande mercado para  as exportações da ilha.Tbm Hong-Kong, como a Coréia e Formosa perdem em 1989 o sistema de preferências generalizado outorgado pelos Estados Unidos, o principal mercado para estes países. Na Ásia, como será examinado  por nós em breve, as conexões entre comércio e investimento fizeram parte de um mesmo movimento ''ARTICULADO ''.... Com a desvalorização de suas moedas a partir de 1988, Coréia e Formosa passaram a sofrer uma intensa pressão dos Estados Unidos para uma maior abertura comercial e liberalização financeira. O aspecto central é que inicialmente o Japão, e posteriormente a Coréia e Formosa , realizaram, sob pressão, importantes mudanças nos seus padrões de financiamento. A manutenção de baixas taxas de juros na segunda metade da  década e de moedas relativamente valorizadas em termos do dólar no final da década resultou , como ocorreu  no Japão, menos uma ampliação dos mercados financeiros asiáticos para os bancos americanos e mais numa internacionalização dos bancos e dos investimento asiáticos.  Nas demais economias, com a exceção da China, houveram amplas transformações na direção da abertura financeira. É nesse contexto que podemos considerar o amplo pacote de reformas financeiras liberalizantes que ocorreram na região, incluindo a desregulação das taxas de juros, que foi particularmente importante na Coréia em 1988 com as taxas de empréstimo , em Fomosa ocorreu um movimento gradual ao longo da década. Na demais economias da ASEAN a liberalização foi intensa sob os auspícios do FMI e do BIRD ---- mas o mesmo não se deu com a alocação de crédito . Importou muito também a reforma e privatização no sistema bancário (incluindo o Banco de Desenvolvimento d Coréia ), além da desregulação dos controles no mercado de câmbio..

K.M.

DE VOLTA PARA OS ''FUTUROS''


O predomínio do mercado futuro indica que o risco de câmbio perde espaço  para o risco de crédito , isto é ,  o risco de que a contraparte não seja capaz de honrar suas cláusulas contratuais. Este tipo de risco microeconômico é especialmente relevante  no caso dos derivativos de câmbio cujos contratos e balcão tinham um valor bruto de mercado da ordem U$ 1,6 trilhão no começo dos anos 1990.  Houve casos individualizados de impossibilidade  de honrar  passivos que foram absorvidos pelo mercado  , com ou sem assistência de bancos centrais. Não representaram ameaça alguma de contágio sistêmico. Existe tbm a possibilidade de os contratos de derivativos virem a ser influenciados por variações intensas ou por elevada volatilidade conjuntural das taxas de câmbio futuro assim como do comportamento destas, na curto prazo, sendo condicionado pelos derivativos. Os riscos de mercado que os agentes envolvidos correm advém das possibilidades de variações no curso futuro do câmbio alterarem posições à descoberto no mercado de derivativos. A probabilidade de variações neste mercado retroagirem sobre o preço dos subjacentes tbm não pode ser considerado desprezível na avaliação dos riscos microeconômicos envolvidos. A partir do começo da década de 1990 , a elevação dos riscos microeconômicos afetou a estrutura de funcionamento  de alguns importantes mercados de câmbio , em particular os europeus em 1992 e 1993 , e depois os asiáticos. Aparentemente não houveram, até 2008, notícias de bancos com participação destacada em intercâmbios relevantes que tenham revelado fragilidade estrutural a ponto de elevar desmesuradamente o risco sistêmico ,  talvez porque os bancos centrais tenham segurado os seus sistemas bancários .  É preciso reconhecer, no entanto , que a opacidade dos sistemas  atacadistas de pagamentos e a possibilidade de ocorrência de ''exposure'' de crédito de magnitude significativa são sintomas da instabilidade potencial destes sistemas . Não por acaso o número de fusões e aquisições no setor financeiro veio crescendo  muito e as intervenções dos bancos centrais como emprestadores de última instância têm se multiplicado. Porém, qualquer avaliação das possibilidades  de tal instabilidade transformar-se em risco macroeconômico  ou sistêmico só pode ser feita a partir do conhecimento minucioso de cada agente envolvido, de suas posições relativas na rede  de créditos e débitos,  de suas inter-conexões, de suas inter-conexões com outros mercados de ativos e de divisas e das ações concretas dos bancos centrais envolvidos. Tampouco as crises nos mercados domésticos de câmbio têm se espraiado para os demais mercados em magnitude tal que comprometessem  os fluxos internacionais de capitais para determinadas regiões, levando-as a ajustes na absorção de créditos do exterior do exterior e ipso facto nos níveis de produção e emprego domésticos, como no México em 1995 e, depois, na Tailândia, Filipinas, Malásia e Indonésia. Como os fluxos  de investimento de portfólio concentram-se em títulos em dólar, e em ações das grandes corporações transnacionais, crises em mercados marginais não afetam o sistema internacional de forma duradoura. No limite extremo, colocam alguns bancos e fundos de investimentos em posições de liquidação, nada mais.

K.M.

Desbaste da ponta do iceberg.

Quando o Governo norte-americano começou a criar condições para a expansão global das grandes empresas do país, após serem resgatas da Grande Depressão de 1930 ,  essa mesma  expansão e reações competitivas que ela despertou na Europa Ocidental e do Leste asiático solaparam a centralização do poder financeiro e econômico mundial nos Estados Unidos, centralização esta que havia possibilitado a institucionalização e a reprodução ampliada do Estado norte-americano de guerra - bemestar. Como no pe´ríodo do Entre-guerras, as  grande empresas norte-americanas tornaram a enfrentar uma situação em teriam que se sustentar ou desmoronar sozinhas. Comparada ao período do entre-guerras, a expansão das empresas americanas nos últimos 40 anos tem sido muito mais dependente de mercados e recursos externos e tem ficado muito exposta à competição estrangeira. Para lidar com essa situação, as empresas americanas foram obrigadas a reduzir sua s hierarquias administrativas e sua força de trabalho subalterna, , assim como a fazer toda sorte de alianças e negociações informais com outras empresas, tanto norte-americanas como estrangeiras, com todos os níveis de governo, e com pequenas empresas do mundo inteiro ,para as quais terceirizam atividades antes executadas em suas próprias organizações. Assim ,a tendência para a criação de redes informais e para a revitalização subordinada das pequenas empresas. Reconhecendo essa tendência para a burocratização da empresa pela ''integração vertical '' e pela diversificação dos produtos , qu tinha feito a fortuna das firmas norte-americanas desde a década de 1870, começou a ser suplantada, cem anos depois, por uma tendência para a criação de redes informais e para a revitalização subordinada das pequenas empresas. Harrison constatou que ela mais parece o desbaste da  ponta de um iceberg do que o derretimento da antiga estrutura vigente ''. E o autor interpretou esse ''desbaste '' da ponta do iceberg do poder empresarial como a expressão do que denominou ''princípio emergente da concentração sem centralização ''. Harrison diz : '' Em vez de definhar, o poder econômico concentrado vem mudando de forma, à medida que as grandes corporações cria toda sorte de alianças e acordos financeiros e tecnológicos a curto e longo prazos, seja entre elas, seja com todos os níveis de governo, seja com legiões de firmas, geralmente  (mas não invariavelmente)  menores, que funcionam como seus fornecedores e sub-empreiteiros. Primeiro os dirigentes separam as tarefas permanentes (nucleares ) e as contingentes (periféricas ). Em seguida, o tamanho do núcleo é reduzido ao máximo , o que, junto com a minimização de estoques, é a razão por que as firmas ''flexíveis '' costuma ser descritas como praticantes de uma produção ''enxuta''. Essas atividades, assim como os seres humanos que as executam, são então posicionados, tanto quanto possível, em diferentes partes da companhia ou rede, ou até mesmo em diferentes locais geográficos.

K.M.